Descobri ontem uma novíssima fonte de riso: as páginas de usuário. Não estou aqui me referindo às informações que elas têm hoje. Nem às páginas dos novatos. Me refiro às primeiras edições em páginas de usuários antigos e as edições subsequentes. São mais reveladoras que as primeiras edições em geral.
Como eram bons aqueles tempos em que como novatos havia menos politicagem e mais vontade de contribuir. Apenas você e alguma página específica para melhorar. O que se passa na cabeça de alguém que cria uma conta em uma wiki?
Imagino que sejam coisas diferentes para cada pessoa, apesar da vontade comum de ajudar. Estranhamente parece que esse Éden idílico da pura e boa vontade vai se corrompendo, seja frente ao mar de trabalho a fazer que nos engolfa - então não era apenas aquilo para melhorar? - seja frente a estupidez dos usuários que já esqueceram que foram novatos ou, antes, como foram novatos.
Eu ainda me lembro bem o que pensei antes de apertar o "Criar nova conta". Direi, pois, aos que esqueceram o que estavam pensado eles mesmos e, porventura, estejam interessados. O que pensei foi:"Por que não? Parece ser divertido." De fato "minha" página de usuário atesta isso. O histórico não me deixa mentir: entrei no mundo wiki por diversão. Aquele motivo inocente me parece mais válido hoje do que nunca. E direi ainda uma coisa, com toda a vergonha de mínimos, conchavos, a costumeira falta de educação nas discussões, a politicagem enfim, eu havia esquecido aquele sentimento.
Não sei se as primeiras edições em uma página de usuário revelam o caráter de cada um. Isto ainda resta por avaliar... Mas certamente trazem a nostalgia de bons tempos: não é que o projeto fosse diferente naquele tempo, nós é que éramos. Experimentem!
segunda-feira, 3 de março de 2008
O histórico que não me deixa mentir
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Jorge
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Ignorância pluralística
Lendo o jornal certa vez, avistei esse conceito, mas não memorizei o nome dele apesar de ver-lhe os efeitos claramente no dia a dia. Dias atrás dei com ele novamente por acaso. Ignorância pluralística é a ação de não expressar a própria opinião ou atitude por força da indiferença do grupo. É se deixar levar pela opinião geral por acreditar não ser possível fazer nada sozinho.
O fenômeno foi recentemente estudado na sociedade brasileira e o pesquisador concluiu que aqui essa característica é mais destacada que em outros países. Como disse, ele perpassa nosso dia a dia, mas é em matéria de política que se torna mais evidente. Diariamente surgem novos casos de corrupção - sem que os anteriores tenham sido esclarecidos diga-se de passagem - e o que nós, brasileiros, fazemos? Nada.
Quando comecei a editar na Wikipédia lusófona, minha primeira wiki, imaginei quais seriam os efeitos da colocação em prática no mundo real da recomendação seja audaz. Sim, o próprio conceito de faça você mesmo compele à ação e trazido para o mundo real, descruzaria muitos braços.
Mas, ao contrário da imaginada por mim, há uma conexão maléfica entre a ignorância pluralística e a Wikipédia lusófona. Nela também é visível a pressão da indiferença do grupo contra a ação e a mudança. Aqui ela se expressa a partir do momento em que algumas coisas têm que ser resolvidas através da discussão e do consenso. É este o caso, por exemplo, dos critérios de notoriedade ou da prevalência das votações sobre o consenso. É muito mais fácil esperar uma votação, em que só é preciso colocar uma predefinição e uma assinatura, do que argumentar.
Para terminar é de notar esta frase citada na entrevista:
E, na cultura brasileira, quem se expõe tende a ser motivo de anedota. Quem se manifesta é badernista, desocupado.Concordo. Inúmeras vezes já vi indivíduos criticarem um verbete, uma irregularidade na ação de outro indivíduo e pedirem ajuda, sendo a resposta costumeira a tentativa de humilhação pública ou a de fazer pouco caso do "manifestante". Aqui também é muito mais fácil usar-se argumentos ad hominem do que dar uma resposta clara e direta que resolveria o problema. Aqui também a indiferença da comunidade, como já disse, cria os trolls da Wikipédia lusófona que nesses dias pululam.
Finalmente o clima de "nada a fazer" na comunidade pelas arbitrariedades cometidas por um ou outro administrador permite que elas continuem. O que acontece fatalmente, inexoravelmente, com o indivíduo que questiona a ação de um ou vários administradores? Ao invés de se resolver o caso, coloca-se o mais rápido possível panos quentes sobre ele e o comportamento do "manifestante" é logo taxado de "desestabilizador" simplesmente por cobrar coerência nas ações de quem "carrega a wiki nas costas" - e que aliás fariam um bem a si e aos outros se tirassem o peso delas já que ninguém pediu tal favor. Contra cara-de-pau, ação! Contra indiferença, ação!
Escrito por
Jorge
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18:15
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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
O homem cordial e a Wikipédia lusófona
Perdoem se venho falar mais uma vez em tão pouco tempo, o assunto "Wikipédia" também já me cansa. Eu gostaria que o Planet fosse mais ativo, mas como não é... Este texto envolve o problema fundamental da Wikipédia lusófona. A existência do homem cordial.
Para os portugueses, cabo-verdianos e cidadãos de além-mar que não tenham lido Raízes do Brasil, o homem cordial segundo Sérgio Buarque de Holanda é o brasileiro, ou antes essa é a principal característica dele. O homem cordial é um homem do campo que age sempre de forma emocional, com base na amizade, no compadrio e está de rabo preso com os políticos locais devendo-lhes favores. Segundo o autor, a urbanização e a democratização do país - o homem cordial precisa e faz parte das oligarquias rurais - levariam o homem cordial a ser extinto e finalmente o país poderia desenvolver-se. Contudo ele claramente sobrevive.
Traçado o perfil dele, alguém aí reconhece esse homem cordial em algum lugar? Sim, o homem cordial brasileiro está na Wikipédia e é ele que é o mal dela. É ele, por exemplo, que ignora quaisquer razões e argumentos em uma votação e vota contra algo que acha certo, apenas para não desagradar os amigos. É ele que não opina contra o amigo para que o amigo fique do lado dele no futuro. É ele que acha que as regras são válidas apenas para quem não faz parte do círculo. É ele, enfim, que afunda o Brasil e a Wikipédia lusófona. Pois, como bem diz um verbete ligado por mim no texto passado, para haver sabedoria na multidão é preciso haver diversidade de opinião entre os membros e independência entre as partes dela. Coisa que sabidamente não existe na Wikipédia lusófona.
Como acertadamente disse um usuário ao deixar de editar na Wikipédia tempos atrás, "cada povo tem o projeto que merece". Nada mais verdadeiro para o Brasil e a Wikipédia lusófona.
Escrito por
Jorge
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19:23
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